Conte sua história de aborto para acabar com o estigma

A legislação à parte, o estigma do aborto continua a permear todos os setores do mundo, e é somente na presença do diálogo que podemos desestigmatizar o aborto. Leia este blog para saber mais sobre a imensa importância de compartilhar histórias sobre o aborto.

O que significa ser pró-escolha 

O termo pró-escolha significa simplesmente que uma pessoa acredita que todos os seres humanos devem ter o direito essencial de decidir o que fazem com seu corpo e quando, com quem, e como se reproduzem. É um termo que significa que mesmo que você não concorde com as escolhas de uma pessoa, você apóia o direito dela de decidir. Uma pessoa pró-escolha apóia os direitos reprodutivos e todo tipo de atenção à saúde sexual e reprodutiva, o que inclui contracepção e acesso ao aborto seguro. 

Quer uma pessoa opte pela adoção ou por interromper ou continuar uma gravidez, os pró-escolha acreditam que a escolha deve ser respeitada e o Estado não deve impor restrições à decisão de ninguém. 

Por que as pessoas pró-escolha são importantes

O monitoramento e a decisão sobre o útero de uma mulher afeta negativamente os direitos básicos, o bem-estar, a saúde, as perspectivas socioeconômicas e o avanço educacional da mulher e, portanto, de seus filhos, família e comunidade.

Ser pró-escolha é uma importante visão de mundo e, em alguns casos, uma postura política. Diz-se ao mundo que “as mulheres são atores iguais e participantes plenos da sociedade e cada criança nascida é uma criança desejada, amada e cuidada” (Rewire News Group). 

A inclusão do bem-estar das crianças na conversa é importante porque o acesso aos cuidados com a saúde reprodutiva afeta diretamente o nascido e o por nascer. 

As  pessoas pró-escolhia ajudam a esclarecer as questões e a trazer a conversa de volta ao básico, que são

  • As mulheres devem ter plenos direitos sobre seus corpos (incluindo o direito de decidir se devem ou não carregar um feto até o nascimento); sem este direito, elas não têm o mesmo status moral ou liberdade que os homens.
  • O direito ao aborto deve fazer parte de uma carteira de direitos de gravidez que permita que as mulheres possam escolher, de forma verdadeiramente livre, se querem ou não terminar uma gravidez.
  • O direito ao aborto é vital para que as mulheres possam alcançar a plena igualdade política, social e econômica com os homens.

Acabar com o estigma do aborto 

O estigma que envolve o aborto pode ser tanto perigoso quanto isolante. Ser incapaz de compartilhar a própria escolha pode significar deixar de receber o cuidados apropriados e, do mesmo modo, não ter um canal para falar da própria experiência pode significar que outra pessoa caia nas mesmas armadilhas. Por conseguinte, se não podemos falar sobre isso de forma aberta e honesta sem o medo de julgamento e exclusão, então deixamos a mulher vulnerável a práticas e situações inseguras. 

Além disso, o isolamento pode levar à consequências adversas à saúde, incluindo estresse, depressão, sono deficiente e função cardiovascular, declínio cognitivo acelerado e um sistema imunológico comprometido. 

O medo do estigma leva ao silêncio e o silêncio alimenta a desinformação, o que aprofunda ainda mais o estigma. É um ciclo vicioso que só pode terminar compartilhando com as mulheres suas histórias de aborto e experiências em torno de suas escolhas reprodutivas.

Falar sobre isso e mudar a percepção

De acordo com o Instituto Guttmacher, durante o período 2010-2014, estima-se que 8,2 milhões de abortos induzidos ocorreram a cada ano na África – um aumento de aproximadamente 4 milhões em relação aos anos anteriores. 

Esses números evidenciam que o aborto é comum e de forma alguma tão extraordinário quanto a sociedade o percebe. Ao mudar a cultura de silêncio em torno do aborto, podemos capacitar as mulheres a compartilhar suas histórias pessoais e normalizar este tipo de conversas.

Essas conversas também ajudam a dissipar mitos prejudiciais e a abalar algumas das visões ultrapassadas que causam limitações aos direitos reprodutivos. 

Compartilhar histórias sobre o aborto afasta mitos e ajuda a circular informações factuais que desafiam o estigma em torno do aborto dá apoio para as mulheres agirem de acordo com seu direito de escolher normalizar o aborto leva a mudanças sociais e políticas. 

Como e por onde começamos?

Compartilhar histórias pessoais sobre aborto entre familiares e amigas/amigos pode ser um grande primeiro passo. Dito isto, encontrar uma comunidade que compreenda sua experiência e que automaticamente tenha empatia por ela é inestimável. 

As histórias compartilhadas nestes grupos podem educar, ajudar a aliviar o medo através do conhecimento de que outras abortaram com sucesso, ajudar a dar apoio emocional ao passar pelo processo de acompanhamento e fornecer uma plataforma para simplesmente conviver com pessoas que entendem.

Em resumo, a construção da comunidade é importante porque

  • Através dela, encontramos conexão e formamos vínculos com pessoas que são semelhantes a nós;
  • Podemos nos aprofundar no tema ao fazer perguntas que normalmente não faríamos; 
  • Criamos espaços seguros onde nós e os outras podemos ser vulneráveis e honestas sem medo; e
  • Nós sensibilizamos e educamos a nós mesmos e as outras sobre uma questão que afeta a metade da população mundial.

A internet e as plataformas de mídia social estão repletas de comunidades online como estas, embora possa levar tempo para encontrar uma que se encaixe. 

Enquanto você olha ao seu redor, considere contribuir para a seção de depoimentos do safe2choose. Você pode encontrar apoio aqui e deixe-nos ajudar você e outras a encontrar comunidade e representação em uma atmosfera segura e livre de julgamentos. 

Fontes: