Aborto com medicamentos

medicalAbortionMuitas pessoas acreditam que o aborto seja um procedimento intrinsecamente inseguro ou que, para ter um aborto seguro, é preciso fazê-lo numa clínica. Isto não é verdade. Abortar usando medicamentos (o chamado “aborto medicamentoso”) é um método bastante seguro, que mudou a forma como as mulheres podem interromper uma gravidez. Com as informações corretas, qualquer mulher pode seguir este método com segurança, em casa.

Mas o que são exatamente as “pílulas abortivas”? O Misoprostol é um medicamento que causa contrações no útero. Tais movimentos fazem com que o endométrio (o tecido que recobre a parede uterina) se descole. É exatamente o mesmo processo que ocorre a cada mês, na menstruação. Em um aborto induzido, assim como na menstruação, o resultado visível deste descolamento é um sangramento que dura alguns dias, acompanhado de cólica.

Embora o Misoprostol seja um método eficaz para abortar de forma segura, é ainda mais eficaz utilizar uma combinação de Misoprostol e Mifepristona. A Mifepristona interrompe o fluxo hormonal necessário para que a gravidez se desenvolva e se mantenha, enquanto o Misoprostol se encarrega das contrações. Geralmente, administra-se uma pílula de Mifepristona e quatro de Misoprostol .

A maioria das mulheres grávidas pode usar essas pílulas sem a necessidade de nenhuma supervisão médica, desde que o faça durante as 10 primeiras semanas de gestação. Isso torna o aborto medicamentoso um método revolucionário, pois dá às mulheres autonomia para terminar a gestação e controle de todo o processo. O estigma em torno do aborto é praticamente universal e enraizado nas sociedades, então muitas mulheres se sentem desconfortáveis ao recorrer a uma clínica. Ao fazerem o aborto em casa, elas podem determinar quando farão o procedimento, evitando assim os períodos de espera que muitos países impõem por lei. Elas também podem decidir quem vai acompanhá-las durante o procedimento, o que as deixa mais relaxadas. Muitas clínicas proíbem a presença de parentes e amigos. Com as pílulas abortivas, as mulheres também não precisam obter o consentimento do parceiro para abortar, como é obrigatório em alguns países. Por fim, abortar em casa dá à mulher mais conforto para lidar com a dor: ela pode preparar um chá ou sua comida favorita, escolher deitar-se no sofá ou na cama etc. Resumindo, o aborto medicamentoso dá às mulheres privacidade e autonomia sobre a experiência.

Mas a maior vantagem do aborto medicamentoso é mesmo a segurança. Nos países com leis que restringem o aborto, como o Brasil, a opção de ir a uma clínica para um aborto seguro simplesmente não existe. Nas clínicas clandestinas, não há garantia de segurança. Abortar em casa, com medicamento, torna-se então a forma mais segura de fazê-lo. Falamos de segurança não só física, mas também jurídica. A Mifepristona e o Misoprostol não deixam traços no organismo. Se a mulher tiver complicações e precisar ir a um hospital, a equipe médica não terá como saber se o aborto é induzido ou natural. A mulher pode dizer que está sofrendo um aborto espontâneo – não haverá nenhuma prova em contrário. A equipe não pode se negar a prestar socorro.

Cpom o aborto medicamentoso, você é quem toma as rédeas do seu corpo, escolhendo as condições em que o aborto ocorrerá. Por que fazer o aborto em casa é melhor? Porque é seguro, confortável e discreto.

Se você está grávida e não quer mais estar, a safe2choose pode te ajudar a fazer um aborto medicamentoso. Nosso site (www.safe2choose.org) tem todas as informações que você precisa sobre as pílulas abortivas. Lá você também pode conversar com conselheiras especializadas, para que não se sinta sozinha durante essa fase. A safe2choose também facilita o acesso a pílulas abortivas em mais de 200 países.

Marián é uma feminista que acredita em justiça reprodutiva. Ela trabalha para garantir que todas as pessoas, em especial as mulheres, possam exercer seus direitos. Na safe2choose, ela informa mulheres do mundo todo sobre o aborto medicamentoso, atuando como conselheira online e analista de mídias sociais.