Brasil, Amara, 20 anos

Por uma bobeira, engravidei. Com 20 anos, estudante universitária, sem estágio ou emprego e completamente perdida na vida, sem saber pra onde seguir, concluindo o curso sem vontade e perspectivas de conseguir emprego. Fiz o exame de sangue e deu positivo, mas no fundo eu já sabia. Quando vi o resultado, foi o pior dia da minha vida. Estava grávida de quatro semanas, sabia exatamente quando tinha acontecido. Até mesmo antes de fazer o exame eu já tinha me decidido, não levaria até o fim. Meu namorado me perguntou o que eu queria fazer e eu respondi. Ele me apoiou do começo ao fim. Fizemos tudo juntos. Pesquisamos bastante, procuramos pessoas pra comprar o remédio, mas tínhamos tanto medo de ser golpe.

Decidimos comprar por sites, mas ainda com medo de pagar e não receber o remédio, nosso dinheiro era pouquíssimo, só tínhamos uma chance. Até entrei em contato com uma senhora que prometeu me ajudar, mas a bendita queria era me fazer desistir do procedimento. Me encontrei com ela sem saber da intenção dela, mas mesmo assim ouvi tudo que ela tinha pra falar. Era um joguinho psicológico horrendo, mas minha decisão já tava tomada e em nenhum momento tive dúvidas.

Eu tava apavorada, com medo e quase entrando em depressão. Eu cogitei o suicídio, na verdade eu decidi que se não conseguisse tirar, eu cometeria suicídio. É uma situação horrível, me sentia perdida, não me sentia mais dona de mim, sentia que minha vida não era mais minha e que ia acabar no momento em que eu virasse mãe. Quero ser mãe um dia, não agora. De jeito nenhum.

Uma amiga fez a intermediação com anjas de uma ONG que me forneceram o remédio de graça! Com o dinheiro, fiz os exames pra não correr o risco de tomar os remédios tendo uma gestação ectópica. Fiz o procedimento na casa de uma amiga. Tive muita cólica, a pior da minha vida, uma febre leve que não durou nem uma hora e diarreia. No começo, fiquei fraca e quase desmaiei, mas aguentei bem. O procedimento, fisicamente falando, foi suportável. Psicologicamente, péssimo. Morria de medo de não dar certo. Fui ao banheiro e senti um bolo saindo de mim. Tive certeza que era o embrião. Nessa altura, já estava de sete semanas.

Esse foi o melhor dia da minha vida. Esse espaço de três semanas entre o pior e o melhor dia da minha vida foi o pior período da minha vida. Eu me perdi de mim mesma. Eu não desejo isso pra ninguém. Já defendia a legalização do aborto e agora defendo mais ainda. É covardia obrigar uma mulher a seguir adiante com uma gestação que ela não quer. Dez dias ,fiz o exame pra saber se estava tudo certo. Estava. Sem feto, sem restos embrionários. Palavra nenhuma poderia sequer chegar perto de expressar o alívio que senti. Não me sinto culpada, nem me arrependo. E tenho certeza de que nunca me arrependerei.